Teca Alencar de Brito
 

Resumo

 

Este trabalho discorre sobre o pensamento pedagógico-musical de Hans-Joachim Koellreutter, compositor, ensaísta e educador alemão radicado no Brasil desde o ano de 1937, quando chegou ao país fugindo do nazismo alemão.

 

Koellreutter tornou-se uma das personalidades mais expressivas da música e cultura brasileiras, atuando de modo dinâmico, ousado, polêmico e inovador.

 

Focaremos, neste contexto, sua importante proposta pedagógica, que visa a formação integral de seres humanos e não apenas, a formação musical especializada.

 

Pelos aspectos que aborda, bem como pelo modo de abordagem, a proposta pedagógico-musical de Hans-Joachim Koellreutter sintoniza-se, sobremaneira, com a temática do Fórum Latino-Americano de Educação Musical, seja porque visa valer-se da música para a formação de valores humanos, quer porque constitui-se em importante documento para a formação de professores na área.

 
Como estudante e educadora musical, tive o privilégio de conviver, aprender e compartilhar experiências e amizade com Hans-Joachim Koellreutter durante mais de vinte anos. Publicar o livro Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical (Peirópolis, SP, 2001), trabalho que apresenta os preceitos, fundamentos e propostas didático-pedagógicas, atendeu a uma necessidade de compartilhar com o maior número de educadores e músicos, os ideais defendidos por Koellreutter para a transformação qualitativa do ser humano e de sua vida nas sociedades contemporâneas.
  
Introdução
 

Hans-Joachim Koellreutter, alemão naturalizado brasileiro, chegou ao Brasil em 1937, tornando-se uma das mais expressivas personalidades da música e cultura brasileiras. Ainda que dissertar sobre sua longa trajetória neste país não seja, aqui, a questão central, é importante lembrar sua atuação dinâmica, ousada, polêmica e inovadora.

 

Foi Koellreutter quem instituiu no Brasil os cursos de férias; quem criou o Departamento de Música na Universidade Federal da Bahia, em Salvador (lá permanecendo, como diretor, de 1954 a 1962), os Seminários Livres da Pró-Arte em São Paulo e em Piracicaba, dentre outros. Formou músicos e compositores, levou o jazz e a música popular para a escola de música, sempre instigando, provocando, ensinando e estimulando o pensar. Seu nome está freqüentemente relacionado à sua fundamental atuação junto ao movimento “Música Viva”, assim como à ira que causou aos compositores tradicionalistas, que não conseguiam ver em suas posturas estéticas, o desejo de crescimento e transformação do ser humano.

 

As composições musicais de Hans-Joachim Koellreutter denotam coerência com postulados que defende e acredita, traduzindo o mundo que percebe, vivencia, conscientiza e reflete - constante e insistentemente. Fazer música é, para ele, maneira de estar em sintonia com o universo, sempre dinamicamente; a linguagem musical é meio de ampliação da percepção e consciência, contribuindo no sentido de superar preconceitos, pensamentos dualistas etc.

 

Apesar de ser reconhecido como o “grande mestre” de muitas gerações de músicos brasileiros, as reflexões, pesquisas e propostas de Koellreutter para a realização de um projeto de educação musical dirigido a todos, e não apenas aos futuros músicos, priorizando a formação integral dos indivíduos, ainda são pouco conhecidas e entendidas.Este foi um dos principais motivos que me impulsionaram a escrever o livro “Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical” (Ed.Peirópolis, SP,2001).

 
Para Koellreutter, a linguagem musical é um meio de ampliação da percepção e consciência, podendo contribuir no sentido da superação de preconceitos e pensamentos dualistas decorrentes do racionalismo, do mecanicismo e positivismo que marcaram o pensamento ocidental. “A música é, em primeiro lugar, uma contribuição para o alargamento da consciência e para a modificação do homem e da sociedade”, afirma ele. (H-J Koellreutter, 1997,p.72)
 

Uma análise das proposições pedagógicas de H-J Koellreutter, desenvolvidas no decorrer de sua vivência e experiência como músico e professor, revela sintonia com o pensamento de pedagogos, cientistas e filósofos contemporâneos voltados para a elaboração de novos paradigmas para a formação e o exercício da cidadania de seres humanos íntegros e integrados - consigo, com o outro, com o meio ambiente.

 

Sua formação e campos de interesse levaram-no a buscar meios para realizar trabalhos interdisciplinares onde a música, em constante diálogo com as outras áreas do conhecimento, visasse, em primeiro lugar, a formação do ser humano. Como europeu que conviveu com os graves problemas decorrentes de movimentos como o fascismo e o nazismo, Koellreutter vislumbrou na educação, com e pela música, a possibilidade de criar uma nova consciência, em oposição ao que nascia na Europa e que se vislumbrava no Brasil, no período que aqui chegou, com o Estado Novo de Getúlio Vargas.

 

A proposta pedagógica de H-J Koellreutter tem como pilares:

 

Os princípios que orientam sua postura como educador:

 
1. Aprender a apreender dos alunos o que ensinar;
 
2. Questionar tudo, sempre: por quê? (alfa e ômega, princípio e fim da ciência e da arte);
 
3. Não ensinar ao aluno o que ele pode encontrar nos livros.
 

A atualização de conceitos musicais, de modo a viabilizar a incorporação de elementos presentes na música contemporânea no trabalho de educação musical.

 

O relacionamento e a interdependência entre a música, as demais artes, a ciência e a vida cotidiana.

 

Abordaremos, aqui, alguns dos principais aspectos orientadores da ação pedagógica proposta por Hans-Joachim Koellreutter:

        

1- O objetivo da Educação Musical

 

Como artista e educador, Hans-Joachim Koellreutter jamais considerou a educação musical unicamente em sua condição de meio para a aquisição de técnicas e procedimentos necessários à realização musical. Sua abordagem priorizou e valorizou a importância e o porquê da música (e da arte) na vida humana, sempre lembrando que cada sociedade, com suas características e necessidades próprias, condiciona um tipo de arte.

 

Koellreutter avalia que o avanço tecnológico e o aumento da densidade demográfica, próprios às sociedades urbanas contemporâneas, geram “culturas de massa constituídas por uma pluralidade de indivíduos cuja consciência do eu e cujo senso de responsabilidade social vêm sendo reduzidos ao mínimo; sociedades sem consciência da unidade, tradições e estilos, no pensar e atuar” (Koellreutter, H-J, 1998,p.43). Por isto, segundo ele, faz-se necessário:

 

“não orientar apenas para a profissionalização de musicistas, mas aceitar a educação musical como meio que tem a função de desenvolver a personalidade do jovem como um todo; de despertar e desenvolver faculdades indispensáveis ao profissional de qualquer área de atividade, como, por exemplo, as faculdades de percepção, as faculdades de comunicação, as faculdades de concentração (autodisciplina), de trabalho em equipe, ou seja, a subordinação dos interesses pessoais aos do grupo, as faculdades de discernimento, análise e síntese, desembaraço e autoconfiança, a redução do medo e da inibição causados por preconceitos, o desenvolvimento de criatividade, do senso crítico, do senso de responsabilidade, da sensibilidade de valores qualitativos e da memória, principalmente, o desenvolvimento do processo de conscientização do todo, base essencial do raciocínio e da reflexão. [...]

 

Trata-se de um tipo de educação musical que aceita como função a tarefa de transformar critérios e idéias artísticas em uma nova realidade, resultante de mudanças sociais. Este tipo de educação musical, mesmo no caso da preparação e formação de musicistas profissionais, vem a ser um tipo de educação para o treinamento de musicistas que, futuramente, deverão estar capacitados a encarar sua arte como arte funcional, isto é, como complemento estético de vários setores da vida e da atividade do homem moderno; músicos preparados, acima de tudo, para colocar suas atividades a serviço da sociedade: o humano, meus amigos, como objetivo da educação musical”. (Koellreutter, H. J, 1998, p 39-45)

 

Uma educação musical que tenha como objetivo a formação integral do ser humano só pode acontecer em contextos onde os alunos sejam respeitados e estimulados em todas as direções. Explorar, experimentar, sentir, pensar, questionar, criar, discutir, argumentar...exercícios geradores de auto-disciplina e consciência, são aspectos fundamentais em sua proposta, sempre promovendo situações de comunicação e relacionamento, de debate, estímulo ao pensar e conscientizar, integrando vivências musicais e de inter-relações humanas.

            
2- A questão do Método
 

“- Meu método é não ter método”, repetiu Koellreutter muitas vezes. “O método fecha, limita, impõe... e é preciso abrir, transcender, transgredir, ir além...”.

 

Koellreutter guiava-se, prioritariamente, pela observação e respeito ao universo cultural do aluno com seus conhecimentos prévios, necessidades e interesses, buscando viabilizar processos significativos de educação musical. A participação ativa, a criação, o debate, a elaboração de hipóteses, a análise crítica, sempre foram princípios básicos presentes em todas as situações de ensino-aprendizagem propostas e/ou coordenadas por ele.

 

Em consonância com os pontos acima expostos, Koellreutter sempre propôs a superação do currículo fechado, que determina previamente os conteúdos a serem transmitidos, sem uma averiguação e avaliação criteriosa do que realmente é importante ensinar a cada aluno, grupo, em cada contexto ou momento.São dele as palavras que se seguem, proferidas no ano de 1954, na abertura do Primeiro Seminário Internacional de Música, em Salvador, Bahia :

 

“Sabemos que é necessário libertar a educação e o ensino artísticos de métodos obtusos, que ainda oprimem os nossos jovens e esmagam, neles, o que possuem de melhor. A fadiga e a monotonia de exercícios conduzem à mecanização tanto dos professores quanto dos alunos.[..]

 

Inútil a atividade daqueles professores de música que repetem, doutoral e fastidiosamente, a lição já pronunciada no ano anterior. Não há normas, nem fórmulas, nem regras, que possam salvar uma obra de arte na qual não vive o poder de invenção. É necessário que o aluno compreenda a importância da personalidade e da formação do caráter para o valor da atuação artística e que na criação de novas idéias reside o valor do artista.” (Koellreutter, H-J, 1997, p.31)

 

Koellreutter sempre defendeu a necessidade da presença do “espírito criador”, princípio vital ao ambiente necessário ao ensino artístico. Torna-se interessante refletir sobre a consonância existente entre os princípios orientadores de sua ação pedagógica e aqueles que são próprios à pedagogia construtivista, bastante apregoada nos tempos atuais, mas pouco praticada, especialmente, na área da educação musical.

 

Hans-Joachim Koellreutter chamou a atenção, desde a primeira metade do século XX, para a necessária implantação de um ensino personalizado, criativo, que, acima de tudo, respeite o aluno. Sua experiência como professor, sempre ligada à formação de músicos (alunos de composição, harmonia, contraponto, regência, estética etc), permitiu-lhe colocar em prática, princípios adequados a toda e qualquer situação educacional, gerando reflexões que colaboraram no sentido de redimensionar o papel da música na educação, de um modo geral, e não apenas nos cursos de formação profissional de músicos.

         

3- Currículos e Conteúdos: Ensinar “aquilo que o aluno quer saber”

 

Koellreutter sempre propôs a superação do currículo fechado e prescrito, que não averigua ou avalia o que realmente é importante ensinar a cada aluno ou grupo, em cada contexto e momento do processo. Orientava os professores, nos cursos de atualização pedagógica, para que ensinassem “aquilo que o aluno quer saber”:

 
“- É preciso aprender a apreender do aluno o que ensinar” - cansou de repetir.“- A melhor hora para apresentar um conceito, ou ensinar algo novo, é aquela em que o aluno quer saber. O professor deve estar sempre atento e preparado para perceber e atender às necessidades de seus alunos”- completava.
 

Disse-nos mais:

 

“- Não é preciso ensinar nada do que o aluno pode encontrar nos livros, pois essas questões ele pode resolver sozinho. É preciso aproveitar o tempo para fazer música, para improvisar, experimentar, discutir e debater. O mais importante é - sempre - o debate; nesse sentido, os problemas que surgem no decorrer do trabalho são mais importantes do que as soluções”.

 

Seguindo esse raciocínio o professor - muitas vezes - aconselhou:

 

“- Não acreditem em nada do que dizem os livros. Não acreditem em nada do que dizem seus professores. Não acreditem em nada do que vocês vêem ou, mesmo, pensam. E também não acreditem em nada do que eu digo. Perguntem sempre porquê a tudo e a todos. Tenham uma placa com um” Por quê?” bem grande escrito, em cima da cama de vocês e logo ao acordarem leiam e perguntem “por quê”?”.

 

A dúvida sempre foi, para Koellreutter, mola mestra de seu modo de ser e pensar. Mas é preciso cuidado para não confundir sua postura e orientação para questionar com a busca de respostas exatas, racionais e objetivas. Ao contrário, seu interesse foi sempre o de ampliar, transformar, repensar, integrar e, especialmente, lidar com a subjetividade inerente a todas as coisas. “Objetividade refere-se àquilo que tem um mínimo de subjetividade”, completava. “A estética e a teoria da música do nosso tempo partem do conceito de um universo sonoro que é considerado como um todo dinâmico e indivisível, que sempre inclui o homem num sentido essencial. Estética e teoria partem do conceito de um mundo que deixou de ser ou subjetivo ou objetivo para tornar-se onijetivo, ou seja, tanto subjetivo quanto objetivo. (Koellreutter,H-J, 1997, p.49).

 

Quando faz menção à questão dos conteúdos e programas, Koellreutter alerta para o fato de que “uma educação que tenda, essencialmente, ao questionamento crítico do sistema e não à sua reprodução, que tenda ao despertar e ao desenvolvimento da criatividade e não à adaptação e à assimilação, exige:

 

1- que as culturas não-ocidentais tanto quanto as originárias, aborígines ainda existentes neste planeta e, naturalmente, também no Brasil, sejam levadas em conta tanto quanto a ocidental;

 

2- que as artes e a estética, em particular, como reflexões sobre o ato criador encontrem lugar tão eminente quanto o das ciências e das disciplinas tecnológicas;

 

3- que a prospectiva como reflexão sobre os fins, os valores e o sentido do futuro em vias de nascer, e como tomada de consciência de nossas responsabilidades - temática mais importante do ensino pré-figurativo -, ocupe espaço tão amplo quanto o do passado.

 

Pois, só um conhecimento vivido das culturas não-ocidentais e originárias, isto é, um verdadeiro ‘diálogo das civilizações e culturas', permite dar resposta às indagações de hoje, em escala planetária, integradora. Permite realizar a grande reviravolta cultural necessária, tornando relativo o que se convencionou chamar ciências e artes, situando as duas áreas no contexto infinitamente mais vasto de uma sabedoria, na qual nossas relações com a natureza não são apenas de manipulação ou conquista, mas de amor e participação; uma abordagem em que o relacionamento de um com o outro e com a sociedade não é o de um individualismo, mas de comunidade, onde nossas ligações com o futuro não são definidas por uma simples extrapolação do presente e do passado, mas por ruptura, superação e transcendência: a criação de um futuro realmente novo “. (Koellreutter, H.J, 1997, p. 55)”.

 

É importante reforçar o fato de que a preocupação com a abrangência de conteúdos visa, sempre, o desenvolvimento de um trabalho relacional, questionador, transformador e que estimule a capacidade de criar.

    

4- O Ensino Pré-Figurativo

 

“O ensino pré-figurativo das artes é parte de um sistema de educação que incita o homem a se comportar perante o mundo não como diante de um objeto, mas como o artista diante de uma obra a criar.” (Koellreutter, H-J, 1997, p.55)

 

Em substituição à postura didática tradicional que “se limita a transmitir os conhecimentos herdados, consolidados e freqüentemente repetidos em aulas de doutoral e fastidiosa atuação do professor” (Koellreutter H.J, 1997, p 41), Koellreutter propôs o ensino que chamou de pré-figurativo, que “orienta e guia o aluno, porém não o obriga a sujeitar-se à tradição, valendo-se do diálogo e de estudos concernentes àquilo que há de existir ou pode existir, ou se receia que exista. Um sistema educacional em que não se ‘educa' no sentido tradicional, mas, sim, em que se conscientiza e orienta por meio do diálogo e do debate.” (Koellreutter, H.J, 1997, p. 41).

 

“Ensinar a teoria musical, a harmonia e o contraponto como princípios de ordem indispensáveis e absolutos, é pós-figurativo. Indicar caminhos para a invenção e criação de novos princípios de ordem é pré-figurativo.

 

Ensinar o que o aluno pode ler em livros ou enciclopédias, é pós-figurativo. Levantar sempre novos problemas e levar o aluno à controvérsia e ao questionamento de tudo que se ensina, é pré-figurativo.

 

Ensinar a história da música como conseqüência de fatos notáveis e obras-primas do passado, é pós-figurativo. Ensiná-la, interpretando e relacionando as obras-primas do passado com o presente e com o desenvolvimento da sociedade, é pré-figurativo.

 

Ensinar composição, fazendo o aluno imitar as formas tradicionais e reproduzir o estilo dos mestres do passado, mas, também, os dos mestres do presente, é pós-figurativo. Ensinar o aluno a criar novas formas e novos princípios de estruturação e forma, é pré-figurativo.” (Koellreutter, H.J, 1997, p.42)”.

 

Para Hans-Joachim Koellreutter, a educação musical deve considerar o estágio em que se encontram nossas sociedades, em virtude do desenvolvimento tecnológico e científico acelerados, em virtude dos problemas sócio-econômicos, das diferenças culturais, dos interesses e modos de pensar de nossas crianças e jovens, já que este amplo e complexo quadro exige a revisão permanente do papel que a música tem a desempenhar na formação dos futuros cidadãos. Segundo ele, o ensino pré-figurativo poderá preparar os jovens para viver numa época em que as transformações ocorrem em ritmo cada vez mais acelerado; por isto, esta é uma concepção de educação para o futuro, que implica em formação e reciclagem permanentes dos educadores.

 

O ensino pré-figurativo aponta caminhos futuros por também respeitar o presente, o contexto, as possibilidades que se apresentam, sempre com vistas a preservar e enriquecer o espírito criador. Essa é a metodologia de Koellreutter, como podemos constatar:

 

“A minha maneira de trabalhar parte sempre do aluno, dele para mim e não o contrário. O assunto das aulas resulta sempre de um diálogo, de uma discussão entre os dois polos: aluno e professor. [...] O problema é como motivar os alunos, criando uma situação de polêmica que lhes interesse ou então simplesmente partindo da prática musical, que tem que ser renovadora. Portanto, o melhor é a improvisação, utilizando todos os elementos que possam soar.” (Koellreutter, H-J, 1997, p.134)

     

5- A Improvisação como Ferramenta Pedagógica

 

A improvisação é ferramenta fundamental na metodologia proposta por Hans-Joachim Koellreutter. Sua prática propicia a vivência e conscientização de importantes questões musicais, que são trabalhadas ao lado de aspectos relativos ao modo de ser humano como autodisciplina, tolerância, respeito, capacidade de compartilhar, criar, refletir etc. O trabalho de improvisação abre espaço para dialogar e introduzir os conteúdos adequados e necessários.

 

“- Não há nada que precise ser mais planejado do que uma improvisação” dizia sempre em suas aulas, alertando para a confusão que não raro acontece já que, para muitos, improvisar é apenas fazer “qualquer coisa”. “Para improvisar é preciso definir claramente os objetivos que se pretende atingir. É preciso ter um roteiro, e a partir daí, trabalhar muito: ensaiar, experimentar, refazer, avaliar, ouvir, criticar etc...”.

 

Koellreutter desenvolveu uma série de jogos que chamou de modelos de improvisação: jogos criativos que propõem a vivência e a conscientização de aspectos musicais fundamentais, estimulando a reflexão e preocupando-se, também, em sugerir situações para o exercício de uma nova estética musical. Koellreutter, que sempre defendeu a integração entre os níveis sensível e intelectual, de um lado, musical e humano de outro, encontrou nos jogos de improvisação com finalidades pedagógicas, os aliados fundamentais ao processo educacional. “Toda improvisação deve ter uma finalidade musical e também humana, como desenvolver a concentração (autodisciplina)”.

   

6- Percepção e Consciência

 

O processo de formação musical proposto por Koellreutter respeita o nível de percepção e consciência de cada aluno(a). Aliás, todo o seu discurso é permeado pela questão da consciência que, sem dúvida, ocupa lugar de destaque em suas reflexões.

 

Fundamentando-se nas relações entre a psicologia da gestalt, a fenomenologia e a física quântica, Hans-Joachim Koellreutter define consciência como a capacidade do homem de apreender os sistemas de relações que o determinam: as relações de um dado objeto ou processo a ser conscientizado com o meio ambiente e o eu que o apreende. O conceito consciência, para ele, não se refere à consciência como conhecimento formal, nem como mero conhecimento ou qualquer processo de pensamento, mas, sim, a uma forma de inter-relacionamento constante, um ato criativo de integração. Ele afirma a existência de três tipos de consciência: intuitiva, racional e arracional, associados à crença irracional, à especulação científica e à transcendência destes.

 

Koellreutter considera os níveis de conscientização humana, presentes no decorrer da história e também na vida de cada indivíduo, como de significativa importância para a compreensão do processo de criação e expressão humanas, bem como para o processo de formação e educação. Ele chama a atenção para o fato de que devemos considerar a transformação da consciência como enriquecimento, como ampliação da percepção numa dimensão nova e não como mero progresso, que resultaria no afastamento da origem e no distanciamento do todo.

 

Por considerar as características globais do estágio atual de nossa civilização e a transformação da consciência do ser humano deste novo tempo, a música do século XX e, com ela, toda uma nova terminologia, princípios estéticos e estruturais ocupa lugar de grande importância no projeto pedagógico de H-J Koellreutter. Mas “todas as músicas”, de épocas, gêneros e estilos diversos são valorizadas e trabalhadas, seja em situações de escuta e análise, seja em situações de interpretação.

     
Conclusão
 

O desenvolvimento de um trabalho de educação musical, no Brasil, com base nos aspectos enfocados neste texto, não é uma tarefa fácil, especialmente considerando a extensão, o crescimento populacional e os sérios problemas sócio-econômicos e culturais enfrentados no país.

 

Importante questão diz respeito, a meu ver, à necessidade de reformulação dos programas de ensino nos cursos de formação de profissionais para o ensino de música. Estes devem visar o desenvolvimento de uma visão global e integradora do mundo, atendendo, também, à necessária atualização pedagógico-musical, que deve passar pelo enfoque de aspectos relativos à estética da música contemporânea, das músicas não-ocidentais etc...

 

Será preciso, também, contar com a presença efetiva de profissionais bem preparados em todas as salas de aula, prontos a “apreender dos alunos o que ensinar” para, dessa maneira, gerar processos significativos de ensino-aprendizagem. Por enquanto, amplia-se o número de métodos homogêneos e padronizados de ensino musical, propondo as mesmas coisas para todos os alunos ou grupos e deixando de lado questões essenciais, tais como o respeito ao interesse, experiência e conhecimento do aluno e a postura efetivamente ativa, que implica em experimentar, criar, analisar, criticar, dialogar e, principalmente, vincular-se afetivamente com o trabalho realizado.

 

Antes de qualquer coisa, é preciso instalar um sistema político-educacional que valorize a atuação do educador mediante pagamento justo e digno e mediante, também, condições que favoreçam o estudo, atualização e pesquisa permanentes. Mais ainda: precisamos contar com salas de aula com espaço, materiais e número de crianças adequados à realização de um bom trabalho. No entanto, podemos e devemos “jogar nossa pedra no lago”, tomando de empréstimo, mais uma vez, suas próprias palavras “O mundo intelectual, cultural é um grande lago, onde todos nós jogamos pedras. Umas um pouco maiores, outras menores, mas nós movimentamos este lago. Isto é o que me parece essencial: o movimento”. (Koellreutter, H.J, 1997, pag.135).

 

Encerro dizendo da alegria e importância de apresentar, ainda que superficialmente, o pensamento pedagógico de Hans-Joachim Koellreutter, meu grande mestre. Não poderiam deixar de ser dele as palavras que finalizam este texto, convidando-nos a - mais uma vez - refletir:

 

“- É chegado o tempo de renunciar a títulos, hinos nacionais, bandeiras e insígnias. Teremos de aprender a esquecer que somos doutores, professores, diretores ou alemães, japoneses, indianos, brasileiros, ou qualquer outra nacionalidade, uma vez que se trata do homem. Teremos de aprender a ser, sobretudo gente, apenas gente, e estenderemos nossa consciência nacional a uma consciência supranacional. Teremos de desenvolver o sentimento de solidariedade de todas as nações, a consciência de compromisso perante uma comunidade cultural e política universal. Teremos que entender que tudo o que hoje ainda nos parece particularidade nacional, no fundo é apenas o fenômeno individual de uma só e mesma coisa: ou seja, o ser humano. No séc. XX somos chamados a formar esse homem livre, destituído de preconceitos, que pensa e sente em termos supranacionais, a desenvolver suas capacidades e a preparar um mundo realmente humano. Por isso, parece-me necessário elaborar um sistema educacional em cujo centro se encontre um fórum de intercâmbio de idéias supranacionais - um local de cooperação cultural, uma escola de pensamento universal na medida do homem”. (Koellreutter, 1997, p. 64).

   
Bibliografia
 

BRITO, Teca Alencar de - Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 2001.

 

KATER, C, H.J.Koellreutter: música e educação em movimento, Educação Musical : Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 06-25, 1997.

 

KATER, C, Entrevista: Encontro com H.J.Koellreutter, Educação Musical: Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 131-144, 1997.

 

KOELLREUTTER, H.J, Educação e cultura em um mundo aberto como contribuição para promover a paz. Educação Musical: Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 60-68, 1997.

 

KOELLREUTTER, H.J, Educação musical hoje e, quiçá, amanhã, Educadores Musicais de São Paulo: Encontro e Reflexões, org. Sonia Albano de Lima, Ed.Nacional, SP, pp 39-45 , 1998.

 

KOELLREUTTER, H.J, O espírito criador e o ensino pré-figurativo, Educação Musical: Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 53-59, 1997

 

KOELLREUTTER, H.J, O ensino da música num mundo modificado, Educação Musical: Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 37-44, 1997.

 

KOELLREUTTER, H.J, Por uma nova teoria da música, por um novo ensino da teoria musical, Educação Musical: Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 45-52, 1997.

 

KOELLREUTTER, H.J, Sobre o valor e o desvalor da obra musical, Educação Musical: Cadernos de Estudo nº 6, Organização de Carlos Kater, Belo Horizonte; Atravez/EMUFMG/FEA/FAPEMIG, pp 69-78, 1997.

    
    
Teca Alencar de Brito
     
Resumo
 

Integradas com o ambiente e a cultura, as crianças interagem com sons e músicas, escutando, reproduzindo e criando. A produção musical infantil, além de forma de expressão e comunicação, é um jogo essencial à construção do ser, que revela - e transforma- a percepção e a consciência, dinamicamente.

 

Em que medida a “educação musical” escuta, respeita e estimula a produção musical das crianças?

   
Introdução
 

O ser humano interage com sons, silêncios e com a música em sintonia com seu modo de perceber, pensar, sentir, conhecer..., enfim, em consonância com sua maneira de ser e estar no mundo. Como uma das manifestações da consciência, a realização musical - jogo de sistemas sonoros simbólicos - reafirma a condição de integração entre o ser humano e o ambiente, bem como, entre a natureza e a cultura.

 

Definições e análises que, no curso do processo sócio-histórico, procuram explicar a presença da música, quer por suas características estruturais, quer pelos fins a que se destina ou os efeitos que provoca, falam de música como arte, como jogo (Molino,1986; Delalande, 1984) como ritual e magia (Blacking, 1974), como linguagem (Sloboda, 1985, Koellreutter, 1997), forma de expressão e comunicação, como conteúdo do espírito ou da matéria, como meio para o desenvolvimento integral do ser humano ou para a organização social (Beyer,1993), entre outras questões.

 

Ainda que a produção musical, em sua diversidade, apresente estruturas organizadas a partir de sistemas assimilados, reconhecidos e reproduzidos pela maioria dos sujeitos envolvidos nos sistemas sociais, é importante atentar para o fato de que o grau de estabilidade adquirido por um ou outro sistema de criação musical não deve (nem pode) ser confundido com a música, ela mesma.

 

Entendemos que os processos de ação/cognição, que se complexificam no curso do desenvolvimento humano, determinam, também, transformações contínuas e dinâmicas no que se refere à interação dos seres humanos com sons e músicas; dessa feita, coexistem diferentes modos de produção/reflexão musicais, próprios ao curso do viver de cada indivíduo, em cada ambiente característico.

 

Se a formação especializada na área amplia as possibilidades de escuta, produção e análise musicais, o fazer musical não é, como sabemos, privilégio dos músicos, realizando-se de maneiras e por motivos diversos, com diferentes níveis de competências, conhecimentos, possibilidades e recursos.

 

Desse modo, o que varia é o grau de complexidade. Este se revela por meio de um conjunto de aspectos que podem incluir: a atitude para escutar, relacionar e estruturar sons e silêncios; o domínio técnico para produzi-los com qualidades diversas e em diferentes meios; a mestria para construir instrumentos musicais; a possibilidade de codificar e decodificar os produtos musicais; a capacidade de conhecer, analisar e interagir com os sistemas de produção musical vigentes na cultura; a capacidade de superar e transformar tais sistemas e - aspecto de grande importância - a maneira de entender e significar a atividade musical dentre as ferramentas de expressão, comunicação e representação do mundo.

 
O que se mantém, para músicos ou não-músicos, é a essência que caracteriza e gera formas musicais: sons e silêncios, no continuum tempo-espaço, revestidos de sentidos e significados conferidos por aquele que produz e/ou escuta.
    

A Produção Musical da Criança

 

Pesquisas e teorias indicam que o relacionamento com o sonoro tem início na etapa da vida intra-uterina, com os sons provocados pelo corpo da mãe e também com estímulos vindos do ambiente externo. O bebê ouve e produz sons e silêncios, realizando, à sua maneira, um jogo que parece apontar para a gênese do fazer musical.

 

O que muda - comparando as experiências realizadas por um bebê com a voz ou com um pequeno tambor, à improvisação ou interpretação de um músico - é, sem dúvida, o grau de complexidade, como já apontamos anteriormente.

 

Entendemos que a construção do significado da música por cada sujeito (a “re-invenção da música” ) se dá pela interação interno/externo ( “eu-meio-construção de relações sonoro-musicais”), sempre em consonância com a percepção e consciência. Dessa feita, é muito importante observar e respeitar o modo como as crianças assimilam e internalizam a “idéia da música”, sintonizando o fazer musical à sua maneira de ser e estar, em dinâmica e permanente transformação. Especialmente, é importante reconhecer que as crianças são produtores musicais.

 

Compreender e respeitar a produção musical infantil, no entanto, implica em reconsiderar a concepção de música, entendendo-a em sua condição de sistema aberto e dinâmico, conforme propusemos.

 

Quando nos referimos à relação da criança com sons e músicas, consideramos aspectos que dizem respeito à escuta, ao gesto, às condutas de produção (priorizando a criação) e - especialmente - à idéia de música que ela tem, ou seja, o que pensa sobre, como lida com os conceitos envolvidos e, principalmente, que significados ela confere ao fazer musical.

 

A interação entre a construção pessoal e os modelos tradicionais de estruturação musicais vigentes e/ou dominantes no meio social em questão, que ocorre seja qual for o grau de complexidade da realização musical, fortalece os modelos tradicionais ao mesmo tempo em que provoca transformações. Em se tratando da produção musical das crianças, parece se estabelecer um jogo dialogal entre o fazer que emerge de suas estruturas internas e os sistemas musicais que apreendem do meio externo, acompanhados de todos os comportamentos relacionados à expressão musical (como, por exemplo, o caráter de show e espetáculo fortemente veiculado pela mídia nas sociedades contemporâneas).

 

Fazendo música as crianças não apenas representam simbolicamente suas percepções, pensamentos, sentimentos.... como reproduzem, num “faz-de-conta”, os modelos que observam e assimilam.

 

Com freqüência escutamos crianças inventando canções, imitando gestos e toques de instrumentos musicais (com ou sem materiais à mão) ou explorando possibilidades e criando livremente quando em contato efetivo com instrumentos musicais. E estas atitudes não são restritas às crianças que têm aulas de música, já que atendem às necessidades de expressar e brincar que são próprias ao universo infantil.

 

O brincar musical da criança, sua forma de experienciar, de desenvolver recursos e de construir conhecimento nessa área, encaminha as experiências para níveis mais elaborados, num processo que se enriquece e assume maior significado quando o verdadeiro e efetivo fazer musical infantil está presente no espaço escolar.

    

Educação Musical como Território de Produções Musicais das Crianças

 

A música convive com sistemas de transmissão e renovação que, se apontam para a tradição oral ou para um saber intuitivo, também indicam a presença de métodos de ensino-aprendizagem, quer com o objetivo de formar músicos, quer como parte da formação geral dos indivíduos. Estes métodos, em sua maioria, ainda se apóiam em concepções que parecem não compreender o fato musical como sistema emergente e dinâmico, focando quase que unicamente sua característica de estabilidade e manutenção de características.

 

A música costuma ser entendida (e transmitida) como linguagem a priori, que “já vem pronta”, com estruturas e modelos que, a despeito de sua condição de produtos culturais, são tratados quase como dados naturais Outrossim, tem importância considerável o fato de que nossa educação musical ainda traz marcas do modelo europeu que se instalou no século XIX e que dissociou a formação de intérpretes e compositores, pela ênfase na formação dos virtuoses.

 

Convivemos com sistemas de ensino musical que pouco ou nenhum espaço costumam reservar às atividades de criação, considerando que a “aula de música” é o espaço para a transmissão de conceitos, de repertórios tradicionais e de realização de atividades seqüenciadas, com fins específicos.

 

Acredito que um projeto de educação musical deva considerar a música como sistema dinâmico de interações e relações entre sons e silêncios no espaço-tempo, entendendo que o processo de musicalização caracteriza-se pela construção de vínculos com essa linguagem.

 

Para tanto, é preciso permitir que a experiência musical no plano da educação seja território para o jogo do perceber, do intuir, do sentir, do refletir, do criar, do transformar...entendendo que não existe dissociação entre corpo e mente.

 

As atividades de criação - que incluem jogos de improvisação, composições, arranjos, formas de registro e grafia - devem integrar o cotidiano musical dos alunos, em cada fase, com base na tradição e também na pesquisa de novas possibilidades. Tais atividades devem se realizar em contextos de intersecção com os conteúdos trabalhados e também com as demais formas de realização musical.

 

Analisando as criações das crianças, constatamos que as mesmas refletem características próprias às diferentes fases do desenvolvimento (não só musical), revelando níveis de percepção e consciência, expressando seu modo de ser pelo jogo simbólico de sons, silêncios, palavras, formas... Se criam canções, suas letras falam de brinquedos, da troca de dentes, dos conflitos com a família, do mundo do faz-de-conta etc, trazendo para o cantar sua maneira de se relacionar consigo mesmas, com o outro, com a família, com a sociedade, com valores, símbolos etc. As criações instrumentais evidenciam o tratamento que é dado aos materiais sonoros e suas características, ao silêncio, aos elementos da linguagem musical em suas estruturações e formas. Intuição e conhecimento específico, liberdade e domínio de regras, exploração, invenção e imitação, convivem em criações que enfatizam um ou mais aspectos, dependendo da vivência e da maturidade dos alunos, ou seja, de sua experiência.

 

Produzindo, as crianças exercitam sua relação com o mundo e assim crescem, vivenciando um processo pedagógico-musical significativo. O sentido e o prazer que o fazer musical confere aos que experimentam, ousam, criam, e, principalmente, tem seus produtos musicais reconhecidos e valorizados em seu meio, seja ele qual for, tem importância fundamental. Quando as crianças percebem que são autoras de sua própria história, todo o percurso se transforma.

 

Não restam dúvidas acerca da necessidade e importância da produção musical (de qualidade!) que os adultos ofertam às crianças; é certo, também, que devemos garantir a elas o acesso à produção musical da cultura, em sua diversidade e riqueza. Mas é fundamental reconhecer, respeitar e valorizar o fazer musical das crianças (superando preconceitos e valores pré-estabelecidos), um dos caminhos para a formação de seres humanos sensíveis, criativos e reflexivos. “O humano como objetivo da educação musical”, como disse Koellreutter.

    
Bibliografia
 

AKOSCHKY, Judith - La musica en el nivel inicial - Diseño curricular para la educación inicial. Buenos Aires: GCA-BA, Secretaria da Educação, 1996/2000.

 

BEYER, Esther (Org.) - Idéias em educação musical. Porto Alegre : Mediação, 1999.

 

BLACKING, John - How musical is man? 2ed. Washington : University of Washington Press, 1974.

 

BRITO, Teca Alencar de - Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical.São Paulo: Editora da Fundação Peirópolis, 2001.

 

Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança. São Paulo: Editora da Fundação Peirópolis, 2003.

 

CAGE, John - De segunda a um ano, São Paulo: Hucitec, 1985.

 

DELALANDE, François - La musique est un jeu d'enfants . Paris: Éditions Buchet/Chastel, 1984.

 

DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix - Mil platôs vol5, tradução de Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa, São Paulo: Editora 34, 1997.

 

FERRAZ, Silvio - “Elementos para uma análise do dinamismo musical”, in Cadernos de Estudo/ Análise Musical, n. 6/7, São Paulo, Atravez, 1994, p. 18.

 

KOELLREUTTER, Hans-Joachim - Terminologia de uma nova estética da música. Porto Alegre: Movimento, 1990.

 
“Por uma nova teoria da música, por um novo ensino da teoria musical”. In: Educação musical: Cadernos de Estudo nº6, organização de Carlos Kater, Belo Horizonte: Atravez/EMU/FMG/FEA/FAPEMIG, 1997, pp.45-52.
 

MOLINO, Jean - “Facto musical e semiologia da música”, In: Semiologia da música, Nattiez, J.J, Eco, U., Ruwer, N., Lisboa: Vega, Universidade, s/d.

 

PIAGET, Jean - Para onde vai a educação?, tradução de Ivete Braga- 15ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.

 

SLOBODA, John - The musical mind. Oxford: University Press, Oxford, 1985.

 

Teca Alencar de Brito é pianista e educadora musical. Coordena, há 21 anos, as atividades da TECA-Oficina de Música, em São Paulo. Publicou Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical (Ed.Peirópolis, SP,2001) e Música na educação infantil (Ed.Peirópolis, SP, 2003). Produziu quatro CDs: Canto do povo daqui (1997); Cantos de vários cantos (1999); Nós que fizemos (2001) e Música pra todo lado (2003).

              
               
Teca Alencar de Brito
         
Hans-Joachim Koellreutter nos deixou nove dias após completar 90 anos. Estava doente e isolado do contato social, mas muito presente no cotidiano da cultura brasileira e especialmente no ser e estar de todos aqueles que conviveram com suas idéias, proposições e, principalmente, com seu modo de viver e conviver.
 
Dedicou sua vida à construção de um novo mundo valendo-se, para tanto, da música e da educação, armas poderosas, sem dúvida! Um mundo sem fronteiras, com respeito e igualdade entre todos foi seu ideal, desde muito jovem, influenciado, obviamente, pelas experiências que vivenciou na Alemanha nazista.
 
Veio para o Brasil muito jovem, em 1937, e logo conscientizou o fato de que uma ação educativa seria o caminho para a transformação. Assim, deixou em segundo plano uma carreira promissora como flautista, para dedicar-se com empenho a conscientizar e comunicar esse mundo que vislumbrava.
 
Suas palavras, num texto escrito em 1993, intitulado “Educação e cultura em um mundo aberto como contribuição para promover a paz” dizem mais do que qualquer tentativa de discorrer sobre seu pensamento e ação:
 
“A paz se tornou uma questão de educação do homem destinado a viver em um mundo aberto. Mundo aberto quer dizer: comunicação, superação do espaço separador, ininterrupta aceleração dos meios de transporte e comunicação, progressiva melhoria dos meios de informação, aproximação das culturas, ampliação do espaço vital, círculos de relações que se estendem de maneira rápida e incessante: isto é, cultura mundial, cultura planetária.
 
...Mas um mundo aberto também significa automação, tecnização, mecanização, nivelação, racionalização e libertação do homem da pressão de funções vitais. E, ao mesmo tempo, obrigação de atividade continuamente criativa e realização de todo tipo de esforços para manter, aperfeiçoar e controlar esse mundo criado por nós. Expansão de energia em todos os campos de ação e da capacidade humana. Ativação de um número cada vez maior de pessoas no sentido de uma participação em relações inter-humanas cada vez mais numerosas. Alcance de uma nova liberdade da personalidade humana e da possibilidade de concretizar essa liberdade na própria formação do destino.
 
Esse mundo aberto implica, portanto, um processo individualizante e ao mesmo tempo integrador em um todo. Um processo de desenvolvimento do individual, pessoal, nacional, visando à integração em um todo supranacional: em um mundo sem ‘vis-à-vis’.
 
...Tendo em vista um mundo aberto – uma formação nova que tanto pode levar a uma maior mistura das culturas -, defrontamo-nos com a tarefa de estabelecer entre todos os membros da família humana relações mútuas plenas de amizade e boa vontade, convencendo-os de que devemos dividir entre nós não apenas o que conquistamos pela experiência da história, mas também o que criaremos mediante cooperação planejada e intercâmbio generoso em todas as esferas da vida.
 
Mundo aberto significa sociedade aberta. Sua coesão interna não será conseguida, como no passado, pela pressão do mais forte, e sim pela concentração em objetivos comuns e pela mobilização para empreendimentos comuns. Um programa de colaboração e intercâmbio, de que muito se fala, mas só raramente é levado à prática.
 
É chegado o tempo de renunciar a títulos, hinos nacionais, bandeiras e insígnias. Teremos de aprender a esquecer que somos doutores, professores, diretores ou alemães, japoneses, indianos, brasileiros, ou qualquer outra nacionalidade, uma vez que se trata do homem. Teremos de aprender a ser, sobretudo, gente, apenas gente, e estenderemos nossa consciência nacional a uma consciência supranacional. Teremos de desenvolver o sentimento de solidariedade de todas as nações, a consciência de compromisso perante uma comunidade cultura e política universal. Teremos de entender que tudo o que hoje ainda nos parece particularidade nacional no fundo é apenas o fenômeno individual de uma só e mesma coisa: ou seja, o ser humano. No século XX somos chamados a formar esse homem livre, destituído de preconceitos, que pensa e sente em termos supranacionais, a desenvolver suas capacidades e a preparar um mundo realmente humano. Por isso, aparece-me necessário elaborar um sistema educacional em cujo centro se encontrem um fórum de intercâmbio de idéias supranacionais – um local de cooperação cultural, uma escola de pensamento universal na medida do homem.”
 
H-J Koellreutter
                        
                    
"Regina Porto - musicista, jornalista e produtora, aluna, amiga e colaboradora de Koellreutter -, escreveu um importante artigo, publicado na Revista Concerto (outubro de 2005), apontando a importância da obra do mestre e convidando-nos a refletir sobre a importância e a responsabilidade da continuidade desse projeto. Sem dúvida, é uma reflexão que vale a pena."
                 
Teca Alencar de Brito
                 

Em uma entrevista datada de 1944 acerca dos propósitos do Música Viva, movimento que imprimiu e liderou no Brasil entre 1938 e 1952, Koellreutter antecipa, em uma frase, o mote que em dois anos fundamentaria a Declaração de Princípios do grupo, documento também conhecido como “Manifesto 46”. É quando conclui, não sem preocupação: “Pela arte é que se reconhece o grau de cultura de um país.” Seis décadas passadas, a declaração do jovem maestro sobre a realidade cultural com que ele aqui se deparava nos soa hoje tão “incisiva e estocante” quanto antes (para usarmos os adjetivos do musicólogo Carlos Kater em seu fundamental “Música Viva e H.J. Koellreutter – Movimentos em direção à modernidade”, publicação Musa/Atravez de 2000, com a primeira íntegra de documentos de uma época radicalmente transformadora para a cena musical do Brasil moderno). Se há um adendo com o qual ele próprio, HJK, concordaria, seria quanto à pertinência destes atuais tempos de excessos (e vazios) da informação, quando graus de cultura já não se medem só pela arte que o país produz, mas sobretudo por sua circulação midiática.

 

Mas o mesmo impasse permanece. Todo rol de problemática trazido pelo músico alemão Hans-Joachim Koellreutter (Freiburg, 1915 – São Paulo, 2005) desde sua chegada ao Brasil em 1937, discutido fervorosamente entre partidários a vida inteira e debatido apaixonadamente com adversários em momentos históricos pontuais, nos parece ter restado, com sua morte recente, mais vivo – e vivificante – do que nunca. A grande revolução na mentalidade musical brasileira, ele tratou de operá-la efetiva e plenamente em vida, realizando por completo o projeto anunciado em estatutos, quando da constituição oficial do Música Viva em 1943: promoveu concertos e radiodifusões com primeiras audições brasileiras e mundiais, proferiu conferências e instigou discussões públicas, assinou publicações e edições, criou festivais, cursos e concursos. Dos seus 23 anos de idade até os 85, Koellreutter cumpriu o que prometeu.

 

Sua passagem determinante atingiu tanto o círculo fechado de seus inúmeros alunos particulares quanto o perfil curricular de instituições públicas que com ele fizeram história – os Cursos Internacionais de Férias Pró-Arte em Teresópolis (anos 40-50), os Seminários Internacionais de Música na Universidade Federal da Bahia (50-60), a Escola Livre de Música Pró-Arte de São Paulo (50) e o Instituto de Estudos Avançados da USP (anos 80) foram exemplos. Entre interlocutores, fez verdadeiras revoluções – algumas pessoais, outras coletivas. Desde Camargo Guarnieri, o primeiro grande amigo e primeiro grande inimigo, tem sido um antes e um depois de HJK – o que nem opositores, nem detratores podem negar.

 

E quanto a nós, os receptores por ele convocados a pensar a música, como se prolonga seu legado? É essa a grande dúvida que o desaparecimento de HJK, aos 90 anos, suscita. Seria raso reduzi-lo ao rótulo de propagador de aspectos formais da arte da música, quando ele mesmo se pautava pelo antiformalismo e rejeitava com veemência a equação “arte pela arte”. Para HJK, música – e a chamada música moderna em particular – constitui ou deveria constituir, senão prática política, seguramente uma ação ideológica de efeito transformador sobre o coletivo e o social. Jamais como apanágio de uma certa classe. É arte que rompe a passividade, desaliena o indivíduo, conscientiza para o mundo, convoca um “novo estado de inteligência”, conforme manifestou. Instrumento da mais elevada forma de organização do pensamento humano a exigir não menos que um “esforço ativo” da escuta.

 

Com atitude pragmática, mesmo utilitária, Koellreutter deitava princípios de uma verdadeira “arte-ação”. Sejamos francos: teremos já processado de todo a sua mensagem? Tendemos à superfície dos códigos (algum “exotismo” multicultural ou multidisciplinar), o que é natural, e ao valor de face das técnicas musicais que ajudou a propagar (atonalismo, dodecafonismo etc).  Seu ativismo de fundo, entretanto, talvez seja o que mais importa, aquilo que constitua padrão estético mais exigente. O que fazer? Como continuar? Não se logra um programa desse porte sozinho. E já há algum tempo os projetos coletivos deixaram de existir entre nós.

 
Regina Porto
    
     

Em 31/05/2007, Teca Alencar de Brito defendeu a tese de Doutorado desenvolvida no Programa de Comunicação e Semiótica da PUC - Pontifícia Universidade Católica, sob orientação do Prof.Dr.Sílvio Ferraz. Segue, abaixo, o resumo do referido trabalho:

 

A tese cartografa a emergência de relações com o sonoro e musical no curso da infância, considerando características e singularidades próprias às crianças, bem como às idéias de música, elas mesmas. O papel e a influência do espaço educacional como um dos agenciadores dos processos de interação com sons e músicas é, também, um dos aspectos abordados no trabalho, que se estrutura, então, sobre os três eixos acima assinalados.

 

O objetivo da pesquisa é apontar a singularidade do fazer musical que tende a emergir em ambientes educacionais marcados por modos de comunicação que buscam, em consonância com Muniz Sodré, “abarcar a diversidade da natureza das trocas, em que se fazem presentes os signos representativos ou intelectuais, mas principalmente os poderosos dispositivos do afeto”.

 

A partir de proposições de Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005) ─ apontando para a singularidade do fato musical, bem como para o território da educação musical como espaço comunicacional fundado em estratégias sensíveis ─ pesquisamos e analisamos condutas musicais de crianças participantes de grupos de musicalização.

 

Valemo-nos, em primeiro plano, de nossa experiência cotidiana, fazendo, há longo tempo, música com crianças, campo real, efetivo e dinâmico de nossa pesquisa. Fundamentamos teoricamente as análises das trajetórias musicais das crianças com base na teoria dinamicista proposta pela psicóloga e cientista cognitivista Esther Thelen (1941-2004).

 

Conceitos propostos pelos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari nortearam análises acerca do significado do fazer musical das crianças. Pelo viés de um pensar rizomático, a pesquisa cartografa a transformação dinâmica de idéias de música e propõe um modo menor de educação musical,modo que é resistência, que é pensamento, que é singularidade; modo que é linha de fuga, resistindo aos mecanismos de controle dos meios de comunicação, cuja ênfase é o produto feito e nunca o estímulo ao processo.

 

Considerando que a criança vive um modo menor de fazer e significar a atividade musical, a pesquisa redimensiona procedimentos pedagógicos, visando favorecer o exercício significativo da música da infância, em contraposição aos modelos tradicionalistas estabelecidos, quer nos sistemas de comunicação midiáticos, quer nos planos da educação.

A pesquisa aponta, principalmente, para a fundação de territórios de comunicação que podemos instaurar, trabalhando com idéias de música como acontecimento, como processos desencadeadores de devires, como jogo que se dá no “entre-lugar” da comunicação do estabelecido.

          
        

A grande magia do teatro está na possibilidade que nós, seres humanos, encontramos de criar e recriar um mundo. Por alguns minutos, a pessoa pode experimentar não agir como ela mesma. Pode ser uma bruxa, uma princesa, um político, um cachorro, um barco... Pode estar em São Paulo, na praia, no Japão, no deserto. Pode voar no tempo e ser uma avó, voltar no tempo e ser um bebê novamente. A criança se coloca na posição da sua mãe, de seu pai, do ladrão, do monstro, da fada. Tudo isso, ao mesmo tempo em que ela não deixa de ser ela mesma, descobrindo ainda, possibilidades suas que sempre estiveram ali, mas guardadas.

 
O principal objetivo do curso é proporcionar um canal para a criação e expressão do aluno através do teatro.
Em classe, o importante é criar meios para que o aluno sinta-se a vontade, estimulado e encorajado para se expressar. Sem essas condições, de nada adianta pedir aos alunos que improvisem (cenas, personagens...). O teatro expõe o aluno e é por isso que ele precisa sentir-se seguro. Trabalhamos com inúmeros jogos e brincadeiras de integração que, por serem prazerosas, facilitam este processo.É preciso preparar o grupo, criar um ambiente lúdico, mostrar que todos tem espaço para criar, dar idéias, sem a preocupação do julgamento externo.
 
O trabalho de expressão corporal é fundamental e está presente em todos os momentos da aula. Explorar as possibilidades do corpo dançando, pesquisando diferentes movimentos e formas, observando os movimentos dos outros, criando movimentos em conjunto, manipulando o corpo do outro, se deixando manipular... Tudo isso enriquece o conhecimento das nossas possibilidades de expressão. A partir disto, o aluno fica muito mais apto e seguro para brincar com o corpo na hora de criar um personagem, por exemplo. E descobre que seu corpo comunica muito, mesmo sem a utilização da voz.
A fala, muitas vezes, fica de fora para que o aluno não explique racionalmente, mas desenvolva maneiras de executar aquilo que ele quer expressar.
 
Também é importante favorecer o contato com obras teatrais já existentes. Assim como com contos, poemas, músicas, lendas... Isso tudo amplia o repertório cultural do aluno que vai desenvolvendo a sua imaginação, sua criatividade. Depois de um tempo de trabalho, torna-se interessante trabalhar com as peças. Os alunos então tem a oportunidade de recriar personagens que já foram criados por alguém. Experimentam possibilidades de situações que, talvez, jamais imaginariam.
 
É importante frisar que, a intenção não é formar “pequenos” atores e apresentar um grande espetáculo no final. É comum vermos escolas que passam todo o ano em função de uma apresentação. A questão principal do trabalho acaba ficando em torno deste produto final, que é o espetáculo.
 
Apresentar é, sem dúvida, muito importante. Até porque, o público é um elemento importantíssimo no teatro. É fundamental que em algum momento, aquilo que foi trabalhado em classe, seja realizado para um público. Este é um momento novo, uma experiência prazerosa de troca com o outro, com a platéia. Gera nos alunos uma grande ansiedade e expectativa, uma mistura de prazer e medo. Mas o processo realizado durante todo o ano não deve estar somente olhando para um produto final. É durante as aulas, realizando improvisações, cenas e jogos com o grupo, que o aluno encontra o ambiente mais oportuno para se expressar, sem medo de errar falas, de ser julgado pelo público etc.
 

A apresentação do fim de ano existe sim como fim de um processo, ou seja, acontece somente como conseqüência daquilo que foi desenvolvido em classe. É preciso mostrar para os alunos que a apresentação não é a única coisa que importa, e que ela não está separada do resto do processo.

 
A criança irá desenvolver o seu teatro! Sem impor padrões estéticos, a idéia é permitir a descoberta das várias formas de representação, de criação de outra realidade!!!
        
        

Em 2005, a Teca Oficina de Música ampliou suas atividades ao unir MÙSICA e TEATRO. Não só começou a oferecer cursos de teatro para crianças e adolescentes, como decidiu produzir espetáculos cênico-musicais.O primeiro trabalhado realizado, foi o espetáculo: “O Menino Tuhu- A Infância e a Música de Heitor Villa-Lobos”, apresentado na própria escola e no Museu da Casa Brasileira.

    

Se você tiver interesse em levar o espetáculo para sua escola ou centro cultural, entre em contato: Maucha Rocha - maucharocha@hotmail.com

      
O MENINO TUHU
A Infância e a Música de Heitor Villa-Lobos
         

Com sensibilidade, humor e delicadeza, são narrados fatos ligados à vida do compositor, desde seu nascimento e infância até o reconhecimento de seu talento musical. Com texto, produção e direção de Teca Alencar de Brito, apresenta composições de Heitor Villa-Lobos, com ênfase para aquelas criadas a partir de temas da cultura infantil brasileira, apontando também para a riqueza da cultura brasileira. No espetáculo: Adriano Nunes (violão); Gabriel Levy (acordeom); Mairah Rocha (voz e percussão); Maucha Rocha e Meire Goto (atrizes); Teca Alencar de Brito (piano).

         
    
     
      
      
    
     
      
     
      
     
       
       
      
    
        

O espetáculo traz um bom número de brinquedos e rodas musicais da tradição brasileira recriados por Villa-Lobos, muitos dos quais quase esquecidos, pelo menos nos grandes centros urbanos. Em “O Menino Tuhu”, duas atrizes contam fatos ligados à vida do compositor, enquanto os músicos interpretam obras de sua autoria.

 

O espetáculo não visa somente apresentar músicas infantis, mas também ampliar o contato das crianças com sons e músicas. Sem intenção didática explícita, a apresentação tem uma intenção educativa, propondo, além da fruição, a ampliação do conhecimento musical das crianças.

 

No repertório: A moda da carranquinha; Assim ninava mamã; A pobrezinha sertaneja; Uma, duas, angolinhas; Os três cavalheirozinhos; Garibaldi foi à missa; Carneirinho, carneirão; Prelúdio da Bachianas nº4; entre outras composições de Heitor Villa-Lobos.